Você sabe lidar com a frustração do seu filho?

09/12/2016

Com o Natal chegando, muitos pais já começam a fazer as contas de tudo o que irão gastar no fim do ano. Contas, comida, férias… e os presentes, é claro. Já pensou se o seu filho fica sem aquele último lançamento de carrinho de controle remoto? Pois deveria pensar!

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Muitas pessoas acabam fazendo de tudo para atender os desejos de seus filhos, esquecendo-se, inclusive, de sua própria condição financeira. E isso é um erro mais comum do que imaginamos, infelizmente. Ainda existem muitas crianças – já com os seus 8 ou 9 anos – que não aprenderam a lidar direito com as frustrações corriqueiras do cotidiano. E isso, na realidade, precisa ser ensinado desde cedo, uma vez que a criança já começa a ser frustrada a partir de seu nascimento.

Segundo alguns psicólogos e neuropediatras, a primeira situação de frustração de uma criança é o próprio nascimento, pois ela, que estava em um lugar extremamente confortável – o útero de sua mãe -, se vê, de repente, em um ambiente estranho, com luz, barulho e um ar mais frio. Para demonstrar o quanto está insatisfeita com isso, ela chora, pois é a única ferramenta que possui para tal ação. Como ainda não tem capacidade de julgar o que é certo ou errado, a criança vai muito mais pela emoção e, por isso, ela se frustra quando algo que quer não é atendido.

Confira abaixo alguns pontos importantes a serem considerados nesse fim de ano:

Coloque limites

Muitas vezes, os pais acabam atendendo todos os desejos e pedidos de seu filho, apenas para não vê-los tristes e com uma sensação de impotência. Diante disso, é preciso entender que tal postura é totalmente equivocada, pois toda criança precisa aprender que a vida não é feita apenas de vitórias, mas também de pequenas derrotas. Quando certos limites são impostos na rotina de uma criança, a disciplina e percepção de que a decepção é algo normal torna-se algo muito importante para o seu desenvolvimento próprio. Maura de Albanesi, psicoterapeuta, afirma que aqueles que aprendem a lidar com as pequenas frustrações do dia a dia desde pequenos tendem a resolver melhor os desafios e medos pessoais e/ou profissionais quando adultos.

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Na maioria dos casos, a origem de todas os adiamentos das frustrações infantis se deve ao fato de que os adultos não gostam de conversar com os seus filhos sobre a atual realidade em que vivem. Por alegarem que os pequenos não entendem, os pais acabam omitindo muitas coisas que acontecem no ambiente familiar e fazem com que eles não cresçam – ou melhor, amadureçam. A única forma de resolver essa questão é sentar com a criança e explicar o que pode ou não ser feito ou, ainda, explicar o que pode ou não ser comprado – já que o assunto aqui é sobre as compras de Natal.

Outro ponto importante para fazer com que as crianças saibam lidar cada vez melhor com a frustração é saber diferenciar o que é necessidade do que é desejo. Pense com a gente: seu filho precisa de uma mochila para o próximo ano letivo, ok, mas será que essa mochila precisa ser do personagem que está em alta entre as crianças e que custa, quase sempre, o dobro do preço? Fica a reflexão.

A importância de aprender a superar as frustrações

Por mais que sejam pequenas, saber superar as frustrações da vida faz com que a criança construa parâmetros internos para lidar com situações de conflito não só naquela idade, mas também em qualquer outra. A frustração faz parte do desenvolvimento e do crescimento infantil e, junto dela, condições emocionais de saber se portar diante de um momento complicado também aparecem.

Tudo isso é muito importante para ela, pois aprender a superar momentos desconfortáveis é um grande exercício de criatividade. Sim, é isso mesmo. Segundo a psicopedagoga Itamara Teixeira Barra, a cada situação de frustração, a criança consegue encontrar uma maneira que a traga novamente ao equilíbrio, isto é, ela encontra uma saída para aquilo tudo – e, tudo isso, está diretamente ligado à criatividade.

Quando uma criança não aprende a lidar com esse tipo de situação desde cedo, situações de frustrações que afetam o seu lado emocional serão muito mais recorrentes. E, pior, não sabendo lidar com as suas próprias decepções, faz com que a criança se transforme em um adulto egocêntrico, pois ela cresce achando que tudo o que pensa e deseja é o certo e acabou. Isso acaba fazendo com que aquela pessoa não consiga se organizar, ter metas e objetivos, já que quer tudo do seu jeito e de forma imediata.

Mas por que isso tudo é importante?

De acordo com uma pesquisa recente realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e também pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), 53,8% dos pais brasileiros revelaram que os seus filhos tem participação direta na escolha de seus presentes de Natal, mesmo com a atual situação econômica do país. Dentro dessa porcentagem, 40,5% alegou que a escolha é conjunta dos pais e 13,3% é com relação à escolha única e exclusivamente da criança.

Para o educador financeiro José Vignoli, dizer “não” para os pequenos é fundamental para que nenhum imprevisto aconteça, já que o levantamento também revelou que, para satisfazer a vontade dos filhos, muitos pais (cerca de 6,1%) vão deixar de bancar algumas contas – como luz, telefone e impostos – para, simplesmente, comprar o presente que tanto querem. Já quando se trata das classes C, D e E, esse percentual sobe para 8,1%. São números alarmantes, diga-se de passagem.

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E você? Como irá lidar com essa situação em sua casa? Os seus filhos já sabem lidar bem com as frustrações que lhes são impostas? Compartilhe conosco nos comentários!

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