Mídias digitais: Os perigos do excesso de tecnologia

21/11/2016

“Tudo que é demais faz mal”. Você com certeza já ouviu essa expressão, certo? E ela vale para praticamente tudo: comida, bebida, dormir e, até mesmo, a tecnologia – que nós tanto aclamamos por facilitar muito o nosso cotidiano. Pensando nessa questão, levanta-se em pauta outra: quais são os males que a tecnologia em excesso causa em nossas crianças? O artigo de hoje visa respondê-la.

Antigamente, há mais ou menos 20 ou 25 anos, a fase da infância de qualquer pessoa era composta por brincadeiras que envolviam grande parte de seus sentidos (visão, tato, olfato, audição e paladar). Mesmo que elas fossem praticadas dentro de casa, essas brincadeiras envolviam uma bola, um carrinho ou uma boneca. Porém, com o avançar dos anos, a tecnologia acabou se fazendo presente na vida de muitas famílias, tanto para os adultos quanto para as crianças. E é aí que entra o perigo!

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Conhecidas como Geração Z, as crianças nascidas a partir da segunda metade da década de 1990 já nasceram inseridas no mundo digital. Computadores, tablets e smartphones são bastante conhecidos por essa turminha; muitas vezes, até, são manuseados com maior facilidade comparado aos adultos. As mãozinhas das crianças conseguem “apertar” a teclinha miúda que os seus pais não conseguem, o que facilita para elas na hora de manusear o aparelho. Além disso, por conta da observação de seus pais, muitos dos pequenos aprendem a usar um smartphone ou um tablet sem que alguém tenha lhes ensinado. De acordo com o jornal The Future of Children, por possuírem essa facilidade em aprender a mexer com a tecnologia, muitas vezes acabam ensinando os próprios pais sobre o que é o certo, o que acaba tirando a autoridade desses adultos.

Problemas de cognição

Muitas crianças, por estarem constantemente fazendo uso da tecnologia, estão perdendo suas habilidades cognitivas, isto é, de aprender e compreender algo. Entende-se por altruísmo o ato de alguém se preocupar em ajudar ou oferecer coisas boas a outro alguém. Por conta da inserção precoce da tecnologia à vida das crianças, muitas delas estão perdendo essa capacidade. Também é válido apontar que a empatia também está em falta nessa nova geração. Segundo o norte-americano Jim Taylor, PhD em psicologia, os diferentes tipos de tecnologia está limitando o desenvolvimento dos pequenos, transformando-os em pessoas mais narcisistas e menos empáticas com relação aos outros. Crianças entretidas em seus  joguinhos mal se dão conta do que está acontecendo ao seu redor. Um exemplo nítido disso é a cena do recreio de uma escola: várias crianças, uma ao lado da outra, sem interagirem entre si.

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O pediatra Antonio Carlos de Souza Aranha aponta a importância de primeiro a criança desenvolver a criatividade e o raciocínio para, daí sim, entrar em contato com a tecnologia. Ele diz que, nos dias atuais, as crianças estão cada vez menos criativas, tanto na ação e emoção quanto no pensamento. Outro ponto muito importante é com relação à escrita. Muitas vezes, os pequenos aprendem a escrever o seu próprio nome primeiramente num smartphone do que num caderno de caligrafia, por exemplo.

Problemas de saúde

Outra discussão crucial acerca desse assunto é quanto a saúde dos filhos. Vários pais se veem preocupados com a obsessão pela tecnologia presente nos filhos, questionando-se até sobre os riscos que isso pode causar neles. De acordo com estudos recentes, são várias as doenças que podem ser desenvolvidas devido ao mau uso da tecnologia pelas crianças: obesidade, sedentarismo, insônia, agressividade, hiperatividade e problemas de atenção são algumas delas. Além do mais, novas doenças estão surgindo com esse novo cenário, tais como:

  • FOMO (Fear of Missing Out – ou Medo de Perder): tipo de ansiedade social que faz a criança não se desligar do aparelho por um minuto sequer;
  • Demência digital: razoável perda nas habilidades tanto cognitivas quanto as da memória.

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Ainda com relação a esse assunto, um relatório divulgado pela Public Health England mostra que crianças que passam muito tempo na internet estão desenvolvendo um índice bem maior de doenças mentais; depressão, ansiedade e baixa autoestima são apenas algumas delas. Já quanto a obesidade, uma pesquisa feita pela Universidade de Alberta (Canadá) mostrou que, quando alguém tem acesso a um aparelho eletrônico, sua chance de desenvolver a doença aumenta em 1,47 vezes. Quando esse número passa para três, as chances são aumentadas em 2,57 vezes.

Dados alarmantes

A AVG Technologies realiza, todos os anos, a pesquisa Digital Diaries, com o objetivo de compilar dados sobre a influência de diferentes tecnologias no desenvolvimento de uma criança.

Abaixo, você pode conferir alguns desses dados (2013), com relação ao uso da internet por crianças brasileiras:

Crianças entre 3 e 5 anos:

  • 76% sabem ligar um computador e/ou um tablet;
  • 73% jogam online;
  • 42% sabem abrir um navegador;
  • 42% sabem usar um smartphone;
  • 43% conseguem escrever o próprio nome;
  • 31% sabem o endereço de casa;
  • 15% sabem nadar.

Crianças entre 6 e 9 anos:

  • 62% participam do mundo digital;
  • 54% estão no Facebook (mesmo a rede social colocando a idade mínima em 13);
  • 15% se comunicam através de algum sistema de mensagens instantâneas;
  • 21% usam o e-mail.

Como resolver a questão

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Vetar o uso das inúmeras tecnologias é praticamente inviável – até porque se houver a proibição, a criança terá contato com as mesmas de uma maneira ou outra. Porém, há sim formas de amenizar o uso por parte dos pequenos.

Primeiramente, os pais precisam ter em mente que são os exemplos para os próprios filhos. Então, nada de ficar pendurado dia e noite em uma tela e proibir a criança de usá-la. Quanto a isso, um limite de tempo pode ser estipulado, bem como regrinhas de uso. Para crianças menores de 2 anos, o contato deve ser nulo. Já para as mais velhas, estima-se que o tempo de 2 horas é o suficiente.

Mostre às crianças que há um mundo fora da tela virtual; dê a ela opções de brincadeiras caseiras. Um livro, uma brincadeira de bola ou de esconde-esconde. Estimule a imaginação e a prática do exercício por parte delas. Você vai ver como todo mundo sai ganhando!

 

Referências:

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