Filho único – Erros comuns na criação de uma criança sem irmãos

05/04/2017

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Há quem pense, e ainda diga, que os filhos únicos são crianças mimadas e, já adultas, tornam-se mais egoístas e com dificuldades de socializar. Acontece que essa formação não ocorre pelo único fato da criança não ter irmãos, mas, sim, devido a criação que recebe de seus pais ou cuidadores.

A dificuldade em fazer amizades ou interagir em público também é outro mito. Filhos únicos estão sujeitos as dificuldades como qualquer outra criança. Novamente, a diferença está na criação e em seu relacionamento com os pais, amigos e parentes. Vale ressaltar que ser filho único e ser uma criança solitária são coisas diferentes, sequer merecendo a comparação ou conexão.

Muitas línguas pregam que filhos únicos tornam-se mimados, egocêntricos e dependentes, dizem até mesmo que possuem dificuldades em trabalhar em equipe. Qualquer um desses pontos pode ocorrer com qualquer pessoa, filho único ou não, isso não é exclusividade de ninguém.

Segundo dados coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), no Censo de 2010, a média era de 1,9 filhos por família. Embora não exista um único fator responsável por essa queda — na década de 1970, a média era de quase 6 filhos por casal —, existem uma junção de fatores aliados: a maior independência feminina, maior luta por estabilidade financeira dos casais, são alguns dos diversos exemplos que podemos citar.

Pensando nisso, para ajudar os pais de primeira e única viagem, elaboramos uma lista com alguns erros comuns cometidos por quem possui apenas um filho.

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Erros comuns na criação de uma criança sem irmãos

  • A solidão pode atingir até mesmo pessoas rodeadas de amigos e parentes, portanto, justificar que um filho único será envolto por ela é sem sentido. Como toda criança, ela necessitará de atenção, amor, cumplicidade, carinho, todos os cuidados básicos para crescimento e desenvolvimentos estáveis.
  • O egoísmo pode ser ensinado. Sem bons exemplos em casa ou no círculo social, todas as crianças estão sujeitas a tornarem-se egoístas. Portanto, não tome como uma verdade absoluta que filhos únicos serão necessariamente egoístas, ao contrário, alguns especialistas acreditam que devido ao convívio com familiares e amigos, recebendo bons exemplos e valores adequados, serão pessoas extremamente generosas.
  • Crianças precisam ter seu espaço e fazerem as suas descobertas. Um erro comum ocorre quando os pais dão pouco espaço, fazem cobranças excessivas e não permitem que os filhos desenvolvam suas habilidades sociais por contra própria, sempre os colocando dentro de uma bolha de proteção.
  • Interligado ao erro anterior, muitos pais costumam tentar selecionar com quem o filho deve interagir. Eles criam uma criança que simplesmente não está à altura de ter amizades ou socializar com todos, isso inibe a criança de muita interação e desenvolvimento social.
  • Uma vez que os pais tenham o péssimo habito de selecionar os amigos ou as pessoas com quem os filhos deverão ter contato, eles estarão construindo, sim, neste caso, um adulto com certas dificuldades em lidar com o todo, gerando assim possíveis problemas, como trabalhar em equipe, por exemplo.
  • Muitas vezes os chamados pais-helicópteros desistem de seus sonhos, hobbies e afazeres para focar única e exclusivamente em seu filho, o que é bom até certo ponto; contudo, existe um limite, que é quando cobranças exaustivas e excessivas sobrecarregam as crianças. Alguns pais com filhos únicos tendem a construir uma imagem perfeita de seu filho, pregando a perfeição para a mesma, o que é um grande erro e falta de maturidade dos pais. Permitir que os filhos cresçam e tracem seus próprios caminhos é essencial, não confundir cumplicidade com autoritarismo também.
  • Não permita que o seu filho desconheça o significado da palavra não. Por vezes, ao pensarem sobre a vida do filho único, os pais acabam mimando-os além da conta e raramente conseguem dizer não aos filhos. É importante fazê-lo entender que nem tudo será como ele deseja e na hora em que deseja. Ensiná-lo a aceitar o não deve ser praticado desde pequeno, uma vez que é difícil mudar isso em uma idade mais avançada.

Filhos únicos são crianças comuns

Seja qual for o motivo que levaram os pais a criarem apenas uma criança, precisa-se entender algo importante para a criação: nenhuma criança é especial simplesmente por não ter irmãos. Elas podem exigir mais atenção e dedicação, no entanto, não requerem necessariamente que os pais as coloquem em um altar.

O trato normal auxilia na formação social e nas interações da criança com outras crianças. Crianças mimadas e egoístas, como já dito, são frutos de superproteção e podem acarretar dificuldades futuras, quando socializar será inevitável para os filhos já em fase adolescente ou adulta. A timidez, por outro lado, tida muitas vezes como algo inerente de filhos únicos, não é um fator externo, mas, sim, um traço da personalidade e pode aparecer em qualquer criança.

Portanto, filhos únicos sofrem com os mesmos problemas e dificuldades de filhos com irmãos. Não seja enganado por ditos populares, dê toda a criação que deseja ao seu filho. É através dela que a criança será formada e aprenderá grandes valores para levar por toda a sua vida. Caso seja necessário, busque orientação com especialistas na área, prepare-se e esteja sempre por dentro do assunto, afinal, é da criação dos próprios filhos que estamos falando, todo o cuidado e preparo é bem-vindo.

Estimule a interação social. Ensina bons valores e seja um bom exemplo. Permita que o pequeno descubra as dificuldades da vida, dê apoio, mas não faça tudo pela criança.

 

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