Depressão na Infância

23/04/2017

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A depressão, doença tida como o mal do século 21, manifesta-se majoritariamente nos adultos, entretanto não é exclusividade deles. Ela também afeta crianças de diversas idades, sendo ainda mais difícil realizar o diagnóstico, pois, os seus sintomas podem ser confundidos como coisas comuns à idade. A depressão apresenta-se de maneira persistente na vida da criança, altera os seus hábitos e personalidade, podendo acarretar sequelas graves para a criança e até mesmo prejudicar o seu desenvolvimento psicológico e social. Muitos adultos tratam com normalidade as mudanças de humor e os sintomas da doença nas crianças, sob a justificativa de ser algo normal para a idade, o que é um grande erro. Mesmo as crianças, em muitos casos, não conseguem expressar o que há de errado com elas, tomando como natural as mudanças características ocasionadas pela depressão. Portanto, torna-se importante informar-se sobre a doença, suas possíveis causas e o tratamento.

O que causa a depressão?

A causa da doença é uma questão importante a ser levantada. Embora hajam estudos que buscam desvendar os mistérios da depressão, nenhum deles é capaz de revelar as causas com exatidão – o que a torna tão perigosa. Sabe-se que é possível que a depressão pode estar ligada a traumas, como a perda de entes queridos, divórcio dos pais, entre outros. Nesse âmbito, o lado psicológico é afetado e pode ser uma das causas da doença.

Existem estudos avançados sobre a hereditariedade e o fator genético; segundo esses estudos, crianças e adolescentes com parentes que sofrem de depressão podem ter tal herança genética, embora ela não seja determinante no desenvolvimento da doença. Mas, aliada a outros fatores externos, propicia o desenvolvimento da mesma.

Uma combinação entre fatores psicológicos, genéticos e sociais contribuem para o avanço da doença em qualquer ser humano. É importante ressaltar que a doença pode afetar qualquer pessoa, em qualquer classe social, de qualquer etnia.

Portanto, as raízes da depressão vão muito além de uma mudança emocional ou um transtorno de humor, possuem bases em diversos polos da vida de quem é afetado por ela.

Os sinais da depressão

As crianças, em particular, possuem dificuldades em expressar que está deprimida, dificilmente elas reconhecerão a doença ou os sinais da dela. Mesmo para os adultos não é tarefa fácil, contudo, com atenção e observação é possível notar detalhes que requerem maior atenção.

Estar atento ao comportamento das crianças é uma ferramenta bastante útil para identificar possíveis sinais depressivos. Insegurança excessiva, quietude, solidão, medo de afastar-se dos pais ou responsáveis, são alguns dos sinais e é preciso prestar atenção a eles. Uma criança com depressão também pode apresentar queixas recorrentes de dores de cabeça ou no estômago, mas sem uma causa física.

Outros possíveis sinais incluem: sono conturbado, muitos pesadelos, irritabilidade, nervosismo, mau humor e problemas com postura; apatia social, falta de vontade de brincar e interagir com outras crianças; fazer xixi ou cocô nas roupas, principalmente para aqueles que já a controlam, também é um sinal.

Os indicativos podem ser muitos ou um, não há como saber, portanto, estar sempre vigilante se faz extremamente importante.

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Diagnóstico

Após os sinais e indícios começam os sintomas. A persistência de qualquer dos sintomas por duas semanas ou mais deve ser encarada como uma alta probabilidade da criança estar com depressão. Alguns dos sintomas são: cansaço excessivo; sentimento de culpa sem causa; ganho ou perda de peso significativo; déficit de concentração; tristeza indefinida, vazio, choro; tendências suicidas ou autodestrutivas. Assim como os sinais, os sintomas também são variados e figuram uma lista maior que a citada, vale ressaltar que a depressão se manifesta de modo diferente de pessoa para pessoa.

Caso os sintomas sejam identificados e, posteriormente, o diagnóstico de depressão seja feito por especialistas, o tratamento precisa ser iniciado o quanto antes.

Qual o tratamento para a depressão em crianças?

Existem duas formas de realizar o tratamento: através de medicamentos e através da psicoterapia. Em casos de depressão leve, a psicoterapia é efetiva e suficiente para curá-la. No entanto, em casos mais graves, faz-se necessário o uso de medicamentos, ainda assim, é importante manter a psicoterapia, não é optando entre um e outro, mas, sim, balanceando as duas maneiras.

Os pais, professores e demais profissionais são importantes para buscar maior aprofundamento no caso e trazer qualquer detalhe importante sobre a criança para a superfície, onde o psicólogo atuará com maior eficiência. Durante o tratamento é vital que os adultos mais próximos das crianças estejam ao lado delas, servindo como base e apoio à criança, mas os adultos precisam de orientação adequada para conseguirem lidar da melhor forma possível com a situação e assim ajudar a criança a deixar esse estado para trás o mais rápido possível.

Faz toda a diferença quando os pais aceitam a doença dos filhos e os ajudam a melhorar, todos caminhando na mesma direção. Existem muitos casos onde a negação e o preconceito em admitir a doença pode agravar a situação. Não ignore os sinais nem os sintomas e tampouco afasta-se ou ignore a verdade, a cumplicidade é importante para uma boa recuperação.

Baleia Azul e a depressão

Recentemente um jogo virtual tirou os véus do tabu que cerca o suicídio, embora não da maneira necessária. O jogo denominado Baleia Azul consiste em diversos desafios diários que culminam na incitação do suicídio do participante. Tanto a sua origem como a forma em que chegou no Brasil ainda são incertos.

Apadrinhado por um curador, o participante é orientado a realizar uma série de desafios, onde muitos envolvem automutilação e, como já dito, terminam com o suicídio do mesmo. Outros desafios envolvem assistir a filmes de terror selecionados pelo curador durante dias sem dormir e acordar de madrugada para ouvir músicas psicodélicas. Também é o curador o responsável por definir a data e a maneira como o adolescente deverá tirar a própria vida.

Por que participar de algo assim? A resposta não é nenhum teorema: pessoas vulneráveis são tragadas e iludidas pelo jogo. Em casos de depressão, ansiedade e outras doenças psicológicas não tratadas e sem o devido acompanhamento e atenção, as pessoas ficam vulneráveis a investidas de pessoas mal intencionadas, que tiram vantagens de quem está psicologicamente fragilizado.

A depressão pode ter consequências graves se não for levada a sério. Crianças e adolescentes desamparados fica mais sucetíveis a tomarem caminhos errados, fique atento ao seus filhos e entes queridos e qualquer sinal ou mudança repentina no humor, consulte um especialista!

Referências:
http://brasil.elpais.com/brasil/2017/04/27/politica/1493305523_711865.html
https://drauziovarella.com.br/crianca-2/depressao-infantil-e-na-adolescencia/

 

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