Como agir em brigas de crianças

16/03/2017

pepila001

Não são raras as situações em que nos deparamos com crianças brigando e discutindo por diversos motivos. Fato normal presente na infância, até mesmo saudável dentro de certos requisitos, pois as crianças aprendem a questionar, dialogar e interagir com o mundo ao seu redor. No entanto, existem certos limites que precisam ser observados pelos pais e responsáveis. A violência e agressividade são os indicadores de intervenção necessária, também servem como alerta para que possíveis desvios ou problemas comportamentais sejam identificados, e esses, o quanto antes forem descobertos melhor será para tratá-los.

Através de pequenas brigas e discussões na infância, as crianças trabalham o âmbito social e interativo, porém precisa-se contar com o bom senso dos pais e adultos, analisando caso a caso, para intervir de maneira benéfica.

Intervir

Intervir ignorando uma das partes não é a maneira mais sadia, correta, de apartar uma briga entre crianças. Além de contra indicado, pois, dar razão para somente algum dos lados construirá negativamente para o desfecho de algumas situações.

Vamos pensar o seguinte: um pai vê o filho discutindo com o amiguinho para ver quem deve ou não participar de uma partida de futebol na chácara, onde varias famílias estão reunidas, divertindo-se. Ao notar a situação, o pai vai até as crianças e escolhe a sua cria como o lado correto, protegendo-o e culpando o outro menino, seja qual for o motivo que resultou em briga. A mãe da outra criança chega e começa a defender o seu próprio filho. Logo, os pais estão brigando por algo tão simples de resolver e dando péssimos exemplos aos dois meninos. O caso hipotético ilustra uma situação comum, infelizmente, e esse desenrolar acaba surtindo efeitos negativos nas crianças, podendo até mesmo abalar a autoestima de tais ou suas percepções. Além de causar grande chateação entre os adultos, entre as famílias envolvidas. É importante ter em mente que as crianças esquecem rapidamente de ocorridos assim, e em pouco tempo reatam a amizade, já alguns adultos não. O que acarreta certo embaraço em algumas situações.

Então, qual a maneira mais indicada e produtiva de apartar uma discussão? Caso não envolva agressões físicas, agressividade em demasia e xingamentos, permita a discussão se desenrolar. Assim, possivelmente as crianças buscarão um acordo, e conseguirão trabalhar sua autonomia e o seu autoconhecimento. Caso a situação esteja delicada, os pais ou responsáveis devem abrir diálogo para com os envolvidos, agir como conciliadores imparciais, avaliando e dando atenção para ambos os lados envolvidos. Essa atenção e compreensão são coisas vitais na infância, elas auxiliarão ainda mais na interação entre pai e filho, e também ajudará a trabalhar a compreensão e o senso de justiça dos pequenos.

Dentro das famílias é importante que os pais ofereçam a mesma atenção aos filhos e evitem comparações de qualquer tipo, uma vez que estas podem afetar de forma impactante a autoestima e a relação entre as crianças. Se forem necessárias, as punições devem ser a todos os envolvidos, escolher um culpado costuma ser negativo e ampliar qualquer pensamento de diferença entre as crianças, ainda mais entre irmãos e primos.

Dicas para intervir em brigas

– Como já dito, evite punir apenas um dos lados. Evite ainda mais fazer um show maior do que parece, gritando e ameaçando.  Seja claro e justo, mantenha o tom e deixe as crianças adquirirem respeito e não medo.

– Não repreenda o outro envolvido sem ouvir a todos. Busque esclarecer os fatos, sem acusações ou comentários pejorativos, daqueles feitos no calor do momento. Mantenha a calma, ouça, dialogue, abra espaço para que os outros pais e responsáveis façam o mesmo e busquem, equilibradamente, uma solução para resolver a situação.

– Violência gera violência. Nunca em hipótese alguma trate uma briga entre amigos, filhos ou primos com violência desacerbada.

– Para brigas por brinquedos, comida ou espaço, ensine o conceito da partilha. Pratique isso com elas e as ensine a praticar com os amigos, primos e irmãos. Mostre a elas o valor dessa atitude, dê uma liderança através do exemplo.

– Crianças percebem quando são vítimas de injustiças desde os quatro anos de idade. Por isso, torna-se importante ensinar a elas o conceito de justiça, claro, além da prática diária. Como educadores, os pais possuem a responsabilidade de ensinar isso aos filhos e, novamente, fazer do exemplo uma boa lição.

Compaixão e Consequência

Antes de tudo, busque compaixão pelo momento vivido pelas crianças. Seja um orientador, amigo e companheiro. Brigas e pequenas discussões são coisas normais dentro da infância, vale ressaltar. Nessa fase da vida onde tudo ainda é aprendizado, permitir que as crianças aprendam através de suas experiências é muito significativo, nada melhor que os pais e responsáveis serem a base, o suporte com quem elas poderão contar, mas permita que elas passem por certos momentos da vida, situações comuns e necessárias — exceto se quiser cria-las em uma bolha.

Estreitar limites é uma maneira sadia de mostrar que os nossos atos têm consequências. A criança não deve sair como se nada tivesse acontecido. Ao contrário, mostrar-lhes as consequências de seus atos é prepara-las para um processo chamado crescer. Isso impactará de forma positiva futuramente, na adolescência e na fase adulta.

Atenção aos sinais

Crianças excessivamente briguentas e agressivas podem esconder algo, talvez tristeza ou até mesmo esconderem coisas pelas quais estão passando, como serem vítimas de violência e abuso, seja qual for o sinalizador é preciso ficar atento. Alguns estudos comprovam que as crianças agressivas na infância tendem a carregar isso conforme crescem e o mesmo é válido para demais problemas comportamentais. O ideal é procurar ajuda especializada quando esses sinais tornam-se evidentes demais, quando extrapolam os limites aceitáveis e compreensíveis. O quanto antes quaisquer problemas forem descobertos melhor será para ajudar a criança.

Pequenas brigas e desentendimentos devem ser motivo apenas de uma boa observação e monitoramento — e um bom diálogo também pode ensinar muito, claro —, no entanto, em casos extremos e frequentes é necessário fazer um acompanhamento mais próximo e atencioso. Esteja atento aos sinais. Cuidar das crianças é uma forma de demonstrar todo o seu amor por elas.

 

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